Eu já vi tudo

Mas não tem nada, não
Quando um amor tá se acabando
A gente arruma outro
Se o tempo não tá pra carne
A gente rói o osso
Ta vendo que eu já vi tudo
Meu amor vai me deixar eu não tô doido
É pra morrer de maor
Tem nada não

Em qualquer tipo de argola
Engancho a minha rede
Com qualquer pingo de chuva
Eu mato a minha sede
Em qualquer ponta de anzol
Penduro a minha dor

Ai! Ai!
Quando eu me lembro que tudo
É da boca pra fora
Meu coração ta te pedindo
Pra não ir embora
Eu fico no desespero
E todo mundo diz
Fique aqui perto de mim
Vem me fazer feliz
Faz de conta
Que a gente nem brigou
É tudo que eu preciso
Pra ficar um paraíso
E não morre de amor

(Flávio José)

Vieste

Vieste na hora exata
Com ares de festa e luas de prata

Vieste com encantos, vieste
Com beijos silvestres colhidos prá mim

Vieste com a natureza
Com as mãos camponesas plantadas em mim

Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens, prá dentro de mim
Meu amor

Vieste a hora e a tempo
Soltando meus barcos e velas ao vento

Vieste me dando alento
Me olhando por dentro, velando por mim

Vieste de olhos fechados num dia marcado
Sagrado prá mim

Vieste com a cara e a coragem
Com malas, viagens, prá dentro de mim

 

(Ivan Lins)

Lugares proibidos

Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já

Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava

Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já

(Helena Elis)

Como posso…

Como posso colocar isso

sem ofender ou irritar?

Mas corre o boato de que

você não está sedo servida.

E dizem sabe-se lá

a quanto tempo…

 

É difícil saber o que é certo

quando tudo quanto

quero fazer é errado!

 

Goze!

23 posições numa só noite…

 

Goze!

Só vou ligar pra você depois

se você disser que eu posso.

 

Goze!

Que mulher seja mulher

e que homem seja homem.

 

Goze!

Se você quiser estou aqui

estou aqui, aqui estou…

 

(Música encontrada no

filme: P. S.: Eu te amo)

Mudar pra quê?

Amar seus defeitos é minha virtude.
Eu mudo de casa, caso você mude.
Hímel, não use sombra, não coloque.
Seu rosto é perfeito, sem nenhum retoque.

Não mude de corte, nem pinte os cabelos.
Você faz moda, sem seguir modelos.
Anéis, pulseiras e brincos pra quê?
Você usa jóia, se a jóia é você.

Eu tenho medo de você mudar
E a outra pessoa não me apaixonar
Morro de medo de você mudar
E a outra pessoa não me apaixonar

Quem muda o caráter, muda a consciência.
É essencial manter a essência
Mesmo com arte, o artificial.
Não destrói o brilho, do que é natural.

Você tem algo, que só deus explica.
Quanto mais simples, mais bonita fica.
Como foi ontem, que seja amanhã.
Eu nasci seu homem e vou morrer seu fã.

(Os Nonatos)

Tudo ou nada

Transformar esse limão em limonada
Passar da solidão pra doce amada

Pegar um trem pra próxima ilusão

Come on, Baby
Segurar esse rojão metade cada
Seguir o coração em disparada
Numa estrada que só tem a contramão

Come on, Baby
Arriscar num passe só de palhaçada
Faz de conta que o que conta conta nada
Apostar na falta de exatidão

Come on, Baby
Repartir toda noite em vários dias
Repetir tudo o que seja alegria
E sonhar na corda bamba da emoção

Come on, Baby
Voar sem avião, sem ter parada
Inverso da razão ou tudo ou nada
Fazer durar a chuva de verão

Come on, Baby
Você e eu, luar, beijos, madrugada
A vida não tá certa nem errada
Aguarda apenas nossa decisão

(Itamar Assumpção & Alice Ruiz)

Vou tirar você do dicionário

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou troca-lá em miúdos
Mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo
Eu vou tirar suas impressões digitais
da minha pele
Tirar seu cheiro
dos meus lençóis
O seu rosto do meu gosto
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos “nãos” se faz um sim
Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não tido
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos “nãos” se faz um sim

(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

 

Dia branco

Se você vier
Pro que der e vier
Comigo…

Eu te prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva…

Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Um pedaço de qualquer lugar…

E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh! oh!…

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo…


Se você vier
Pro que der e vier
Comigo…

Te prometo o sooool
Se hoje o Sol sai
Ou a chuuuuva….
Se a cair

Se branco ele for
E esse canto
Esse tando
Esse tão grande amor
Grande amor..

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo…

Comigo!…

 (Geraldo Azevedo / Renato Rocha)

Incompatibilidade de gênios

Dotô,
jogava o Flamengo, eu queria escutar.
Chegou,
Mudou de estação, começou a cantar.
Tem mais,
Um cisco no olho, ela em vez de assoprar,
Sem dó,
Falou que por ela eu podia cegar.

Se eu dou,
Um pulo, um pulinho, um instantinho no bar,
Bastou,
Durante dez noites me faz jejuar
Levou,
As minhas cuecas pro bruxo rezar.
Coou,
Meu café na calça prá me segurar

Se eu tô
Devendo dinheiro e vem um me cobrar
Dotô,
A peste abre a porta e ainda manda sentar
Depois,
Se eu mudo de emprego que é prá melhorar
Vê só,
Convida a mãe dela prá ir morar lá

Dotô,
Se eu peço feijão ela deixa salgar
Calor,
Ela veste casaco prá me atazanar
E ontem,
Sonhando comigo mandou eu jogar
No burro,
E deu na cabeça a centena e o milhar

Ai, quero me separar

 

(João Bosco e Aldir Blanc)

Olhos nos olhos

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos no olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando sem mais nem porquê
E tantas águas rolaram
Tantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
Você sabe a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

 

Chico Buarque de Holanda

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