Crase
24/04/2010 às 15:54 (Crase, Gramática)
Crase
A palavra crase provém do grego (krâsis) e significa mistura. Na língua portuguesa, crase é a fusão de duas vogais idênticas, mas essa denominação visa a especificar principalmente a contração ou fusão da preposição a com os artigos definidos femininos (a, as) ou com os pronomes demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo, aquiloutro, aqueloutro .
Para saber se ocorre ou não a crase, basta seguir três regras básicas:
01) Só ocorre crase diante de palavras femininas, portanto nunca use o acento grave indicativo de crase diante de palavras que não sejam femininas.
Ex. O sol estava a pino. Sem crase, pois pino não é palavra feminina.
Ela recorreu a mim. Sem crase, pois mim não é palavra feminina.
Estou disposto a ajudar você. Sem crase, pois ajudar não é palavra feminina.
02) Se a preposição a vier de um verbo que indica destino (ir, vir, voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-se…), troque este verbo por outro que indique procedência (vir, voltar, chegar…); se, diante do que indicar procedência, surgir da, diante do que indicar destino, ocorrerá crase; caso contrário, não ocorrerá crase.
Ex. Vou a Porto Alegre. Sem crase, pois Venho de Porto Alegre.
Vou à Bahia. Com crase, pois Venho da Bahia.
Obs.: Não se esqueça do que foi estudado em Artigo.
03) Se não houver verbo indicando movimento, troca-se a palavra feminina por outra masculina; se, diante da masculina, surgir ao, diante da feminina, ocorrerá crase; caso contrário, não ocorrerá crase.
Ex. Assisti à peça. Com crase, pois Assisti ao filme.
Paguei à cabeleireira. Com crase, pois Paguei ao cabeleireiro.
Respeito as regras. Sem crase, pois Respeito os regulamentos.
Casos especiais
01) Diante das palavras moda e maneira, das expressões adverbiais à moda de e à maneira de, mesmo que as palavras moda e maneira fiquem subentendidas, ocorre crase.
Ex. Fizemos um churrasco à gaúcha.
Comemos bife à milanesa, frango à passarinho e espaguete à bolonhesa.
Joãozinho usa cabelos à Príncipe Valente.
02) Nos adjuntos adverbiais de modo, de lugar e de tempo femininos, ocorre crase.
Ex. à tarde, à noite, às pressas, às escondidas, às escuras, às tontas, à direita, à esquerda, à vontade, à revelia …
03) Nas locuções prepositivas e conjuntivas femininas ocorre crase.
Ex. à maneira de, à moda de, às custas de, à procura de, à espera de, à medida que, à proporção que…
04) Diante da palavra distância, só ocorrerá crase, se houver a formação de locução prepositiva, ou seja, se não houver a preposição de, não ocorrerá crase.
Ex. Reconheci-o a distância.
Reconheci-o à distância de duzentos metros.
05) Diante do pronome relativo que ou da preposição de, quando for fusão da preposição a com o pronome demonstrativo a, as (= aquela, aquelas).
Ex. Essa roupa é igual à que comprei ontem.
Sua voz é igual à de um primo meu.
06) Diante dos pronomes relativos a qual, as quais, quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir a preposição a, ocorre crase.
Ex. A cena à qual assisti foi chocante. (quem assiste, assiste a algo)
07) Quando o a estiver no singular, diante de uma palavra no plural, não ocorre crase.
Ex. Referi-me a todas as alunas, sem exceção.
Não gosto de ir a festas desacompanhado.
08) Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, a não ser que cause ambigüidade.
Ex. Preencheu o formulário a caneta.
Paguei a vista minhas compras.
Nota: Modernamente, alguns gramáticos estão admitindo crase diante de adjuntos adverbiais de meio, mesmo não ocorrendo ambigüidade.
09) Diante de pronomes possessivos femininos, é facultativo o uso do artigo, então, quando houver a preposição a, será facultativa a ocorrência de crase.
Ex. Referi-me a sua professora.
Referi-me à sua professora.
10) Após a preposição até, é facultativo o uso da preposição a, portanto, caso haja substantivo feminino à frente, a ocorrência de crase será facultativa.
Ex. Fui até a secretaria.
Fui até à secretaria.
11) A palavra CASA:
A palavra casa só terá artigo, se estiver especificada, portanto só ocorrerá crase diante da palavra casa nesse caso.
Ex. Cheguei a casa antes de todos.
Cheguei à casa de Ronaldo antes de todos.
12) A palavra TERRA:
Significando planeta, é substantivo próprio e tem artigo, conseqüentemente, quando houver a preposição a, ocorrerá a crase; significando chão firme, solo, só tem artigo, quando estiver especificada, portanto só nesse caso poderá ocorrer a crase.
Ex. Os astronautas voltaram à Terra.
Os marinheiros voltaram a terra.
Irei à terra de meus avós.
Acentuação Gráfica – Novas regras
24/04/2010 às 10:32 (Acentuação Gráfica - Novas regras, Gramática)
A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos sinais escritos sobre determinadas letras para representar o que foi estipulado pelas regras de acentuação do idioma. Entre estes sinais estão os diversos acentos gráficos, além do restante dos diacríticos, como o trema, por exemplo.
Acentos gráficos e diacríticos
- o acento agudo ( ´ ) – colocado sobre as letras a, i, u e sobre o e do grupo em, indica que essas letras representam as vogais tónicas da palavra: carcará, caí, armazém. Sobre as letras e e o, indica, além de tonicidade, timbre aberto: lépido, céu, léxico.
- o acento circunflexo ( ^ ) – colocado sobre as letras a, e e o, indica, além de tonicidade, timbre fechado: lâmpada, pêssego, supôs, vêem, Atlântico.
- o til ( ~ ) – indica que as letras a e o representam vogais nasais: alemã, órgão, portão, expõe, corações, ímã.
- o acento grave ( ` ) – indica a ocorrência da fusão da preposição a com os artigos a e as, com os pronomes demonstrativos a e as e com a letra a inicial dos pronomes aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo: à, às, àquele, àquilo.
OBS: Quando seguidas de m ou n, as letras a, e, o representam vogais nasais, comumente fechadas, recebem acento circunflexo, e não agudo. Ex: câmara, fêmur, ânus. A única exceção ocorre nas terminações -em, -ens em que se usa acento agudo [porém, contém, provém, parabéns], a não ser nas formas da 3ª pessoa do plural, quando passa a usar o circunflexo.
- o trema ( ¨ ) – indica que o u é semivogal, ou seja, é pronunciado atonamente nos grupos gue, gui, que, qui: ungüento, sagüi, seqüestro, eqüino (essa grafia não é utilizada mais atualmente, o trema porém continua a ser aplicado em palavras estrangeiras como sobrenomes, e.g. “Müller”).
Regras básicas
As regras de acentuação gráfica procuram reservar os acentos para as palavras que se enquadram nos padrões prosódicos menos comuns da língua portuguesa. Disso, resultam as seguintes regras básicas:
- proparoxítonas – são todas acentuadas. Têm a antipenúltima sílaba tônica e, nesse caso, é a sílaba que leva acento. É o caso de: lâmpada, relâmpago, Atlântico, trôpego, Júpiter, lúcido, óptimo, víssemos, flácido.
- paroxítonas – são as palavras mais numerosas da língua e justamente por isso as que recebem menos acentos. Têm a penúltima sílaba tônica. São acentuadas as que terminam em:
-
- i, is: táxi, beribéri, lápis, grátis, júri.
- us, um, uns, on, ons: vírus, bónus, álbum, parabélum, álbuns, parabéluns.
-
- l, n, r, ei, x, ps’: incrível, útil, ágil, fácil, amável, éden, hífen, pólen, éter, mártir, caráter, revólver, jóquei, tórax, ônix, fênix, bíceps, fórceps, Quéops.
- ã, ãs, ão, ãos: ímã, órfã, ímãs, órfãs, bênção, órgão, órfãos, sótãos.
- ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de s: água, árduo, pónei, cáries, mágoas, jóqueis.
- oxítonas – Têm a última sílaba tônica. São acentuadas as que terminam em:
- a, as: Pará, vatapá, estás, irás, cajá.
- e, es: você, café, Urupês, jacarés.
- o, os: jiló, avó, avô, retrós, supôs, paletó, cipó, mocotó.
- em, ens: alguém, armazéns, vintém, parabéns, também, ninguém.
- monossílabos tônicos – são acentuados os terminados em:
- a, as: pá, vá, gás, Brás, cá, má.
- e, es: pé, fé, mês, três, crê.
- o, os: só, xô, nós, pôs, nó, pó, só.
- ditongo – abertos tónicos quando em palavras oxítonas
- éi: anéis, fiéis, papéis
- éu: céu, troféu, véu
- ói: constrói, dói, herói
Esta regra desapareceu (para palavras paroxítonas). Escreve-se agora: ideia, colmeia, celuloide, boia.
Observe: há casos em que a palavra se enquadrará em outra regra de acentuação. Por exemplo: contêiner, Méier, destróier serão acentuados porque terminam em R.
- hiato – i e u nas condições:
- sejam a segunda vogal tônica de um hiato;
- formem sílabas sozinhos ou com s na mesma sílaba;
- não sejam seguidas pelo dígrafo nh;
- não forem repetidas (i-i ou u-u);
- não sejam, quando em palavras paroxítonas, precedidas de ditongo;
ex.: aí: a-í; balaústre: ba-la-ús-tre; egoísta: e-go-ís-ta; faísca: fa-ís-ca; viúvo; vi-ú-vo; heroína: he-ro-í-na; saída: sa-í-da; saúde: sa-ú-de.
- Não se acentuam as palavras oxítonas terminadas em i ou u (seguidos ou não do s). Palavras como baú, saí, Anhagabaú, etc., são acentuadas não por serem oxítonas, mas por o i e o u formarem sílabas sozinhos, num hiato.
Acento diferencial
O acento diferencial é utilizado para diferenciar palavras de grafia semelhante. Usamos o acento diferencial – agudo ou circunflexo – nos vocábulos da coluna esquerda para diferenciar dos da direita:
- pôde (pret. perf. do ind. de poder) – pode (pres. do ind. de poder)
- pôr (verbo) – por (preposição)
- fôrma (substantivo) – forma (substantivo e verbo)
O acento em “fôrma” pode ser considerado opcional.
Acento dos verbos
Verbos arguir e redarguir (agora sem trema)
Os verbos arguir e redarguir perderam o acento agudo em várias formas (rizotônicas): eu arguo (fale: ar-gú-o, mas não acentue); ele argui (fale: ar-gúi), mas não acentue.
Verbos terminados em guar, quar e quir
Observe: Quando o verbo admitir duas pronúncias diferentes, usando a ou i tônicos, aí acentuamos estas vogais:
eu águo, eles águam e enxáguam a roupa (a tônico); eu delínquo, eles delínquem (í tônico).
tu apazíguas as brigas; apazíguem os grevistas.
Se a tônica, na pronúncia, cair sobre o u, ele não será acentuado: Eu averiguo (diga averi-gú-o, mas não acentue) o caso; eu aguo a planta (diga a-gú-o, mas não acentue).
Os verbos ter e vir
Ele vem aqui; eles vêm aqui.
Eles têm sede; ela tem sede.
Fonologia
23/04/2010 às 14:38 (Fonologia, Gramática)
DEFINIÇÃO
Fonologia é o ramo da Linguística que estuda o sistema sonoro de um idioma. Ao estudar a maneira como os fones (sons) se organizam dentro de uma língua, classifica-os em unidades capazes de distinguir significados, chamadas fonemas.
FONEMA
A palavra fonologia é formada pelos elementos gregos fono ( “som, voz”) e log, logia ( “estudo”, “conhecimento”) . Significa literalmente ” estudo dos sons” ou “estudo dos sons da voz”. O homem, ao falar, emite sons. Cada indivíduo tem uma maneira própria de realizar esses sons no ato da fala. Essas particularidades na pronúncia de cada falante são estudadas pela Fonética.
Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de estabelecer uma distinção de significado entre as palavras. Observe, nos exemplos a seguir, os fonemas que marcam a distinção entre os pares de palavras:
| amor – ator |
| morro – corro |
| vento – cento |
Cada segmento sonoro se refere a um dado da língua portuguesa que está em sua memória: a imagem acústica que você, como falante de português, guarda de cada um deles. É essa imagem acústica, esse referencial de padrão sonoro, que constitui o fonema. Os fonemas formam os significantes dos signos linguísticos. Geralmente, aparecem representados entre barras. Assim: /m/, /b/, /a/, /v/, etc.
Fonema e Letra
1) O fonema não deve ser confundido com a letra. Na língua escrita, representamos os fonemas por meio de sinais chamados letras. Portanto, letra é a representaço gráfica do fonema. Na palavra sapo, por exemplo, a letra s representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a letra s representa o fonema /z/ (lê-se zê).
2) Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que pode ser representado pelas letras z, s, x:
Exemplos:
zebra
casamento
exílio
3) Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema. A letra x, por exemplo, pode representar:
- o fonema sê: texto
- o fonema zê: exibir
- o fonema chê: enxame
- o grupo de sons ks: táxi
4) O número de letras nem sempre coincide com o número de fonemas.
Exemplos:
| tóxico | fonemas: | /t/ó/k/s/i/c/o/ | letras: | t ó x i c o |
| 1 2 3 4 5 6 7 | 1 2 3 4 5 6 | |||
| galho | fonemas: | /g/a/lh/o/ | letras: | g a l h o |
| 1 2 3 4 | 1 2 3 4 5 |
5) As letras m e n, em determinadas palavras, não representam fonemas. Observe os exemplos:
compra
conta
Nessas palavras, m e n indicam a nasalização das vogais que as antecedem.
Veja ainda:
nave: o /n/ é um fonema;
dança: o n não é um fonema; o fonema é /ã/, representado na escrita pelas letras a e n.
6) A letra h, ao iniciar uma palavra, não representa fonema.
Exemplos:
| hoje | fonemas: | ho / j / e / | letras: | h o j e |
| 1 2 3 | 1 2 3 4 |
Classificação dos Fonemas
Os fonemas da língua portuguesa são classificados em:
1) Vogais
As vogais são os fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar que passa livremente pela boca. Em nossa língua, desempenham o papel de núcleo das sílabas. Assim, isso significa que em toda sílaba há necessariamente uma única vogal.
Na produção de vogais, a boca fica aberta ou entreaberta. As vogais podem ser:
a) Orais: quando o ar sai apenas pela boca.
Por Exemplo:
/a/, /e/, /i/, /o/, /u/.
b) Nasais: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.
Por Exemplo:
/ã/: fã, canto, tampa
//: dente, tempero
//: lindo, mim
/õ/ bonde, tombo
// nunca, algum
c) Átonas: pronunciadas com menor intensidade.
Por Exemplo:
até, bola
d)Tônicas: pronunciadas com maior intensidade.
Por Exemplo:
até, bola
Quanto ao timbre, as vogais podem ser:
Abertas
Exemplos:
pé, lata, pó
Fechadas
Exemplos:
mês, luta, amor
Reduzidas – Aparecem quase sempre no final das palavras.
Exemplos:
dedo, ave, gente
Quanto à zona de articulação:
Anteriores ou Palatais – A língua eleva-se em direção ao palato duro (céu da boca).
Exemplos:
é, ê, i
Posteriores ou Velares – A língua eleva-se em direção ao palato mole (véu palatino).
Exemplos:
ó, ô, u
Médias – A língua fica baixa, quase em repouso.
Por Exemplo:
a
2) Semivogais
Os fonemas /i/ e /u/, algumas vezes, não são vogais. Aparecem apoiados em uma vogal, formando com ela uma só emissão de voz (uma sílaba). Nesse caso, esses fonemas são chamados de semivogais. A diferença fundamental entre vogais e semivogais está no fato de que estas últimas não desempenham o papel de núcleo silábico.
Observe a palavra papai. Ela é formada de duas sílabas: pa-pai. Na última sílaba, o fonema vocálico que se destaca é o a. Ele é a vogal. O outro fonema vocálico i não é tão forte quanto ele. É a semivogal.
Outros exemplos:
saudade, história, série.
Obs.: os fonemas /i/ e /u/ podem aparecer representados na escrita por” e“, “o” ou “m“.
Veja:
| pães / pãis | mão / mãu/ | cem /ci/ |
3) Consoantes
Para a produção das consoantes, a corrente de ar expirada pelos pulmões encontra obstáculos ao passar pela cavidade bucal. Isso faz com que as consoantes sejam verdadeiros “ruídos”, incapazes de atuar com núcleos silábicos. Seu nome provém justamente desse fato, pois, em português, sempre consoam ( “soam com”) as vogais.
Exemplos:
/b/, /t/, /d/, /v/, /l/, /m/, etc.
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Encontros Consonantais
O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, recebe o nome de encontro consonantal. Existem basicamente dois tipos:
- os que resultam do contato consoante + l ou r e ocorrem numa mesma sílaba, como em: pe-dra, pla-no, a-tle-ta, cri-se…
- os que resultam do contato de duas consoantes pertencentes a sílabas diferentes: por-ta, rit-mo, lis-ta…
Há ainda grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos; são, por isso, inseparáveis: pneu, gno-mo, psi-có-lo-go…
Dígrafos
De maneira geral, cada fonema é representado, na escrita, por apenas uma letra.
Por Exemplo:
lixo – Possui quatro fonemas e quatro letras.
Há, no entanto, fonemas que são representados, na escrita, por duas letras.
Por Exemplo:
bicho – Possui quatro fonemas e cinco letras.
Na palavra acima, para representar o fonema | xe| foram utilizadas duas letras: o c e o h.
Assim, o dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema (di = dois + grafo = letra). Em nossa língua, há um número razoável de dígrafos que convém conhecer. Podemos agrupá-los em dois tipos: consonantais e vocálicos.
Dígrafos Consonantais
| Letras | Fonemas | Exemplos |
| lh | lhe | telhado |
| nh | nhe | marinheiro |
| ch | xe | chave |
| rr | Re (no interior da palavra) | carro |
| ss | se (no interior da palavra) | passo |
| qu | que (seguido de e e i) | queijo, quiabo |
| gu | gue (seguido de e e i) | guerra, guia |
| sc | se | crescer |
| sç | se | desço |
| xc | se | exceção |
Dígrafos Vocálicos: Registram-se na representação das vogais nasais.
| Fonemas | Letras | Exemplos |
| ã | am | tampa |
| an | canto | |
| em | templo | |
| en | lenda | |
| im | limpo | |
| in | lindo | |
| õ | om | tombo |
| on | tonto | |
| um | chumbo | |
| un | corcunda |
Observação:
“Gu” e “qu” são dígrafos somente quando, seguidos de “e” ou “i”, representam os fonemas /g/ e /k/: guitarra, aquilo. Nesses casos, a letra “u” não corresponde a nenhum fonema. Em algumas palavras, no entanto, o “u” representa um fonema semivogal ou vogal (aguentar, linguiça, aquífero…) Nesse caso, “gu” e “qu” não são dígrafos. Também não há dígrafos quando são seguidos de “a” ou “o” (quase, averiguo).
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Encontros Vocálicos
Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, sem consoantes intermediárias. É importante reconhecê-los para dividir corretamente os vocábulos em sílabas. Existem três tipos de encontros: o ditongo, o tritongo e o hiato.
1) Ditongo
É o encontro de uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) numa mesma sílaba. Pode ser:
a) Crescente: Quando a semivogal vem antes da vogal.
Por Exemplo:
sé-rie (i = semivogal, e = vogal)
b) Decrescente: Quando a vogal vem antes da semivogal.
Por Exemplo:
pai ( a = vogal, i = semivogal)
c) Oral: Quando o ar sai apenas pela boca.
Exemplos:
pai, série
d) Nasal: Quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.
Por Exemplo:
mãe
2) Tritongo
É a sequência formada por uma semivogal, uma vogal e uma semivogal, sempre nessa ordem, numa só sílaba. Pode ser oral ou nasal.
Exemplos:
Paraguai – Tritongo oral
quão – Tritongo nasal
3) Hiato
É a sequência de duas vogais numa mesma palavra que pertencem a sílabas diferentes, uma vez que nunca há mais de uma vogal numa sílaba.
Por Exemplo:
saída (sa-í-da)
poesia (po-e-si-a)
| Saiba que:
- Na terminação -em em palavras como ninguém, também, porém e na terminação -am em palavras como amaram, falaram ocorrem ditongos nasais decrescentes. - É tradicional considerar hiato o encontro entre uma semivogal e uma vogal ou entre uma vogal e uma semivogal que pertencem a sílabas diferentes, como em ge-léi-a, io-iô. |
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Sílaba
Observe:
| A – MOR |
A palavra amor está dividida em grupos de fonemas pronunciados separadamente: a – mor. A cada um desses grupos pronunciados numa só emissão de voz dá-se o nome de sílaba. Em nossa língua, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: Não existe sílaba sem vogal e nunca há mais do que uma vogal em cada sílaba. Dessa forma, para sabermos o número de sílabas de uma palavra, devemos perceber quantas vogais tem essa palavra. Atenção: As letras i e u (mais raramente com as letras e e o) podem representar semivogais.
Classificação das Palavras quanto ao Número de Sílabas
1) Monossílabas: possuem apenas uma sílaba.
Exemplos:
mãe, flor, lá, meu
2) Dissílabas: possuem duas sílabas.
Exemplos:
ca-fé, i-ra, a-í, trans-por
3) Trissílabas: possuem três sílabas.
Exemplos:
ci-ne-ma, pró-xi-mo, pers-pi-caz, O-da-ir
4) Polissílabas: possuem quatro ou mais sílabas.
Exemplos:
a-ve-ni-da, li-te-ra-tu-ra, a-mi-ga-vel-men-te, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta
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Divisão Silábica
Na divisão silábica das palavras, cumpre observar as seguintes normas:
a) Não se separam os ditongos e tritongos.
Exemplos:
foi-ce, a-ve-ri-guou
b) Não se separam os dígrafos ch, lh, nh, gu, qu.
Exemplos:
cha-ve, ba-ra-lho, ba-nha, fre-guês, quei-xa
c) Não se separam os encontros consonantais que iniciam sílaba.
Exemplos:
psi-có-lo-go, re-fres-co
d) Separam-se as vogais dos hiatos.
Exemplos:
ca-a-tin-ga, fi-el, sa-ú-de
e) Separam-se as letras dos dígrafos rr, ss, sc, sç xc.
Exemplos:
car-ro, pas-sa-re-la, des-cer, nas-ço, ex-ce-len-te
f) Separam-se os encontros consonantais das sílabas internas, excetuando-se aqueles em que a segunda consoante é l ou r.
Exemplos:
ap-to, bis-ne-to, con-vic-ção, a-brir, a-pli-car
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Acento Tônico
Na emissão de uma palavra de duas ou mais sílabas, percebe-se que há uma sílaba de maior intensidade sonora do que as demais.
calor - a sílaba lor é a de maior intensidade.
faceiro – a sílaba cei é a de maior intensidade.
sólido - a sílaba só é a de maior intensidade.
Obs.: a presença da sílaba de maior intensidade nas palavras, em meio à sílabas de menor intensidade, é um dos elementos que dão melodia à frase.
Classificação da Sílaba quanto a Intensidade
Tônica: é a sílaba pronunciada com maior intensidade.
Átona: é a sílaba pronunciada com menor intensidade.
Subtônica: é a sílaba de intensidade intermediária. Ocorre, principalmente, nas palavras derivadas, correspondendo à tônica da palavra primitiva. Veja o exemplo abaixo:
| Palavra primitiva: | be - | bê |
| átona | tônica |
| Palavra derivada: | be - | be - | zi - | nho |
| átona | subtônica | tônica | átona |
Classificação das Palavras quanto à Posição da Sílaba Tônica
De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos da língua portuguesa que contêm duas ou mais sílabas são classificados em:
Oxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a última.
Exemplos:
avó, urubu, parabéns
Paroxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a penúltima.
Exemplos:
dócil, suavemente, banana
Proparoxítonos: são aqueles cuja sílaba tônica é a antepenúltima.
Exemplos:
máximo, parábola, íntimo
Saiba que:
|
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Monossílabos
Leia em voz alta a frase abaixo:
| O sol já se pôs. |
Essa frase é formada apenas por monossílabos. É possível verificar que os monossílabos sol, já e pôs são pronunciados com maior intensidade que os outros. São tônicos. Possuem acento próprio e, por isso, não precisam apoiar-se nas palavras que os antecedem ou que os seguem. Já os monossílabos o e se são átonos, pois são pronunciados fracamente. Por não terem acento próprio, apoiam-se nas palavras que os antecedem ou que os seguem.
Critérios de Distinção
Muitas vezes, fazer a distinção entre um monossílabo átono e um tônico pode ser complicado. Por isso, observe os critérios a seguir.
1- Modificação da pronúncia da vogal final.
Nos monossílabos átonos a vogal final se modifica ou pode modificar-se na pronúncia. Com os tônicos, não ocorre tal possibilidade.
Exemplos:
Vou de carro para o meu trabalho.( de = monossílabo átono – é possível a pronúncia di ônibus.)
Dê um auxílio às pessoas que necessitam.( dê = monossílabo tônico – é impossível a pronúncia di um auxílio.)
2- Significado isolado do monossílabo
O monossílabo átono não tem sentido quando isolado na frase. Veja:
Meus amigos já compraram os convites, mas eu não.
O monossílabo tônico, mesmo isolado, possui significado. Observe:
Existem pessoas muito más.
Nessa frase, o monossílabo possui sentido: más = ruins.
São monossílabos átonos:
artigos: o, a, os, as, um, uns
pronomes pessoais oblíquos: me, te, se, o, a, os, as, lhe, nos, vos
preposições: a, com, de, em, por, sem, sob
pronome relativo: que
conjunções: e, ou, que, se
São monossílabos tônicos: todos aqueles que possuem autonomia na frase.
Exemplos:
mim, há, seu, lar, etc.
Obs.: pode ocorrer que, de acordo com a autonomia fonética, um mesmo monossílabo seja átono numa frase, porém tônico em outra.
Exemplos:
Que foi? (átono)
Você fez isso por quê? (tônico)
Funções da Linguagem
23/04/2010 às 14:11 (Funções da Linguagem, Gramática)
Funções da Linguagem
Quando um cientista descreve a Lua, submete‑a a uma interpretação impessoal, científica ou meramente informativa. Por outro lado, um poeta, ao descrever o mesmo astro, imprime a suas impressões um caráter emocional, consoante a subjetividade de suas sensações. Assim, enquanto para o cientista a Lua é “o satélite natural da Terra”, para o poeta seria “uma inspiração romântica, idealizada ou melancólica”.
Desse modo, tem-se as funções da linguagem que apontam as mensagens para um ou mais elementos da própria comunicação.
ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO
Ao elaborar um texto, o redator precisa ter em mente que a mensagem é direcionada a um leitor que dele inferirá juízos, segundo ótica interpretativa própria.
Seja um texto literário ou escolar, a redação sempre apresenta uma pessoa que a escreve, o emissor, e alguém que a lê, o receptor. O que o emissor escreve chama‑se mensagem. O elemento condutor denomina‑se canal. Os fatos, evidências, vivências ou juízos constituem o referencial. A língua que o emissor utiliza constitui o código metalingüístico.
| Elementos | Funções |
| Contexto | Referencial |
| Emissor | Emotiva |
| Receptor | Conativa |
| Canal | Fática |
| Mensagem | Poética |
| Código | Metalinguística |
1. REFERENCIAL – também chamada de Cognitiva, Informativa ou Denotativa privilegia o contexto impessoal (na terceira pessoa). O emissor tem a intenção de informar sem envolvimentos passionais, constituindo-se, assim, na linguagem das redações argumentativas (concursos e vestibulares), das narrações não‑fictícias e das descrições objetivas. Está presente também em teses científicas, em textos jornalísticos, em redações oficiais e comerciais. Exemplos:
1) Texto jornalístico: A justificativa, em tom de alerta, vem do discurso taxativo do engenheiro José Édison Parro, 60 anos, presidente da Associação de Engenharia Automotiva: “A maioria dos carros da frota nacional, apesar da renovação dos últimos anos, não se encontra em perfeito estado. Isso aumenta a incidência de antigos problemas e, consequentemente, o risco de acidentes”. ((Alexandre Carauta e Anderson Vieira, Trecho de artigo publicado no caderno Carro e Moto, 23/06/2001)
2) Redação Oficial – Parecer:
Conclusão
Considerando-se a importância da participação da professora Jupira da Silva dentro do projeto global que o professor Cremilço Pereira pretende desenvolver para otimizar o trabalho da Editora da Universidade Federal de Brasília e a perfeita adequação do projeto em apreciação a Resolução nº44/CEPE/96 que regulamenta as atividades de extensão, recomenda-se ao colegiado a aprovação do projeto em pauta.
Rio Grande, 12 de outubro de 1999.
Nelson Maia Schocair
Relator
2. EMOTIVA – essa função tem a ênfase centrada no emissor (texto em primeira pessoa), em suas emoções e atitudes. Também chamada Expressiva ou Exteriorização psíquica é representada por interjeições adjetivas e agressão verbal (insultos, injúrias) e signos de pontuação – exclamações e reticências. As canções populares, os cordéis, as novelas, as poesias pertencem a essa unidade lingüística funcional. Exemplos:
a) “É gente humilde que vontade (eu sinto) de chorar.” (Chico Buarque)
b) “Todos os dias quando (eu) acordo, / (eu) não tenho mais o tempo que passou.” (Legião Urbana)
c) “Não adianta nem tentar me esquecer…” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
3. CONATIVA – também denominada Apelativa, busca mobilizar a atenção do receptor, produzindo evocação, ordem, apelo. Pode ser Imperativa, característica da propaganda, das sentenças ou Volitiva, revelando desejo, vontade. Exemplos:
1) Imperativa
“Respire futebol
Coma futebol
Beba Coca-Cola”
2) Volitiva
“Quero ficar no teu corpo feito tatuagem…” (Chico Buarque)
4. FÁTICA – a ênfase é centrada no canal a fim de que se mantenha a conexão entre os falantes. Exemplos:
“Bom dia!” – “Oi!” – “Alô!”
Obs.: Embora característica da linguagem oral, na música popular também aparece:
“Eu ligo o rádio
e blá – blá
BIá‑bIá‑bIá‑bIá
Eu te amo.” (Lobão)
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“Blá‑blá‑blá.‑blá
blá‑blá‑blá‑blá‑blá
Ti‑ti‑ti‑ti
Ti‑ti‑ti‑ti-ti
Tá tudo muito bom, bom!
Tá tudo muito bem, bem!” (Blitz)
5. POÉTICA – função que aparece em todas as composições artísticas: cinema, teatro, pintura, poesia, literatura, fotografia, música – em textos em verso ou prosa, com o fim de obter efeito estético por intermédio de linguagem especial: figuras, desvios de normas e neologismos. Exemplos:
1) Literários:
“Uma tigresa de unhas negras
e íris cor‑de‑mel
uma mulher, uma beleza
que me aconteceu.” (Caetano Veloso)
“Amor é fogo que arde sem se ver
é ferida que dói e não se sente
é um contentamento descontente…” (Luís de Camões)
2) Jornalístico:
A coleção de aparatos eletrônicos que recheiam os automóveis do novo milênio mostra se, no Brasil, insuficiente para manter os modelos usados imunes a virose banais e teimosas (faróis desregulados, rodas desalinhadas, suspensão deficiente, etc.), Pior: a vacina ou seja, a revisão periódica- custa caro para a maioria dos proprietários e usuários de automóvel rio país. (Alexandre Carauta e Anderson Vieira, Trecho de artigo publicado no caderno Carro e Moto, 23/06/2001)
6. METALINGUÍSTICA – é a função dicionarizada ou imaginativa que visa à tradução do código. É a mensagem que fala de sua própria produção discursiva. Um livro que vira filme, uma pintura que mostra o artista executando a tela, uma poesia revelando o próprio ato de escrever constituem exemplos de metalinguagem. Exemplos:
1) Imaginativa:
“O homem é uma ilha cercada de mediocridade por todos os lados.”
2) Dicionarizada:
Uma ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados.
IMPORTANTE: Raramente se encontram mensagens com apenas um dos tipos de função.

