Ai! Se sesse!…

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse;
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?…
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

Zé da Luz

Homenagem ao Prof. Ernesto

Muitas vezes, quando estamos refletindo sobre o mundo em que vivemos, pensando no desemprego, nas secas, nas enchentes, na violência urbana ou em outras desgraças maiores como as guerras, a fome e os Estados Unidos, tendemos a achar que o nosso planeta é por de mais horrível quando comparado com a beleza e a pureza do Paraíso de Deus, o ceu.

 

No entanto, desde a última quinta-feira (29.1.9), dia que um grande amigo do LICEU nos deixou, penso que tal beleza e pureza são falsas completamente, pois olhando de tão longe, o Deus do ceu nos trai e, com sua onipotência, esconde dos nossos olhos os seus detalhes, e não nos permite ver os defeitos que possui; dentre os quais, o maior deles é, sem dúvida, essa mania desagradável de levar para si as pessoas que nos fazem bem.

 

Não é a toa, que mesmo crentes nesse Deus Todo-poderoso, mesmo que não percebamos, todos nós achamos a Terra infinitamente melhor que o Paraíso que Ele nos reservou, pois para ir para lá, Deus não nos permitiu outra opção, apenas a morte e isso ninguém quer.

 

O professor Ernesto também não queria, tenho certeza, mas infelizmente, mais dia menos dia, teremos que sofrer as conseqüências dessa penosa falha da criação. Além disso, o Senhor devia estar com muita dificuldade de resolver algum problema em sua eternidade, e por isso resolveu buscar para mais perto dele um pouco daquilo que muitas vezes lhe falta: sabedoria.

 

Como consolo, Ernesto deixou aos seus alunos um mar de tristeza que devemos todos, em sua memória, substituí-lo, assim que aceitarmos o destino dele, pelo manancial de ensinamentos que ele nos deixou. E é o que estou fazer agora ao compartilhar um texto que me foi dado por ele.

 

Foi assim: Eu estava na sala dos professores, pesquisando no computador quando de repente, sem que eu esperasse – mais ou menos como a morte fez com ele – nosso eterno professor de Geografia se aproximou e me perguntou se eu conhecia o texto que me dera nas mãos. Eis o texto:

 

Um dia, inadvertidamente, o melhor cavalo de um fazendeiro caiu a um poço seco e o dono, aflito, tentou de todas as formas encontrar o meio de o salvar. Depois de variadas tentativas, utilizando cordas e paus sem conseguir trazer o animal para fora do poço, alguém, percebendo um profundo silêncio no fundo do poço se atreveu:

 

– Talvez ele tenha morrido com a queda.

 

Depois de pensar um pouco, o dono concluiu:

 

– Então aterrem. A água já deve estar suja e contaminada.

 

Sem demora começaram a aterrar o poço e qual não foi a surpresa do fazendeiro quando o cavalo emergiu do poço e serviu ao seu senhor ainda por muitos anos…

 

MORAL: Muitos vão jogar areia nas suas costas com o objetivo de te afundar, mas basta sacudir a poeira para que essa mesma areia seja a escada pra seu triunfo.

 

Esta é minha homenagem.

 

Obrigado Ernesto, muito obrigado. Thau…